Sobre a rádio

A história da Rádio Comunitária Noroeste Fm se confunde com a luta pela democratização da comunicação no Brasil. Surgida como uma ideia do grande e valoroso Francisco Carlos da Silva (Chiquinho) ainda na década de 80, a Rádio Noroeste FM sai do sonho á partir da vitória da Rádio Livre Reversão FM, que funcionava num espaço Cultural na Vila Ré na capital paulista.
            Sua primeira transmissão deu-se ainda no ano de 1996, com o nome de Boa Vista Vista FM, na antiga Rua dos Cedros na Vila Boa Vista.
            Com uma programação plural e desenvolvida pela própria comunidade a Rádio Noroeste FM ajuda na construção de um modelo público de comunicação comunitária, participando na construção do Código de ética da radiodifusão Comunitária e na Construção da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (ABRAÇO) na cidade de Praia Grande, litoral de São Paulo.
            Também participou ativamente da luta pela legalização das rádios comunitárias no Brasil na construção da lei federal 9612/98, que instituiu o Serviço de radiodifusão Comunitária no Brasil.
            Todo este engajamento na luta pela democratização da comunicação, gerou grande apreensão e perseguição da mídia monopolista de Campinas, que culminou com seu fechamento no ano de 1999,  do confisco de seus equipamentos e a prisão de seu coordenador na época Jerry de Oliveira.
            Ainda em 1999, a emissora obtém estrondosa vitória na justiça, com a devolução de seus equipamentos e volta a operar no ano de 2001, na antiga unidade 2 do Posto de saúde através de uma liminar judicial, que acabou sendo derrubada pelas emissoras comerciais no ano de 2002.
            Tudo isso não impediu a Rádio Noroeste FM de lutar, muito pelo contrário, a repressão sofrida nos anos de 1999 e 2002, estimulou a Rádio Noroeste FM a entrar mais definitivamente na Luta pela democratização da Comunicação e pelo direito humano a comunicação das comunidades.
            No ano de 2000, a Rádio Noroeste FM protagoniza uma luta pela construção da regional – campinas da associação Brasileira de radiodifusão Comunitária, construindo um modelo de comunicação em rede e a construção da lei municipal 12017, que estabelece modelos de construção e participação popular nas outorgas de radiodifusão, com a criação do Conselho Municipal de Comunicação, projeto de lei que foi derrubado liminarmente pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e televisão (ABERT). Fica claro nesta decisão a disputa de classe pela comunicação social brasileira, com a construção de um modelo de radiodifusão que possua o social como eixo central para a efetiva democratização da comunicação no Brasil e da Sociedade.
            No ano de 2002, seu coordenador assume um papel estratégico na equipe que construiu a Rádio educativa de Campinas na gestão Toninho Izalene, que fora um marco no modelo de construção de uma comunicação dialógica e comprometida com a sociedade.
            Após este período iniciou-se assim o protagonismo de representantes da Rádio Noroeste FM na direção nacional da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (ABRAÇO) com seu representante Jerry de Oliveira assumindo por dois mandatos a direção executiva e posteriormente a Coordenação Sudeste da entidade.
            Neste período, consolida-se a radiodifusão comunitária no Brasil. Na gestão Fernando Henrique Cardoso, um governo claramente defensor do monopólio da Comunicação, o número de emissoras comunitárias não passava de 600 emissoras, sendo todas elas garantidas através do velho modelo de concessões e troca de moedas entre o governo e sua base de sustentação, que culminou com o mais novo e popular adjetivo para este tipo de contravenção: O coronelismo eletrônico.
            A partir de representantes da Rádio Noroeste FM em dois grupos de trabalho do Ministério das comunicações para debater e agilizar os procedimentos de outorgas além de garantir pluralidade nas escolhas das entidades proponentes de executar o serviço, a Radiodifusão Comunitária no Brasil começa a ser reconhecida mundialmente como a maior revolução radiofônica do mundo, com cerca de 5 mil rádios autorizadas e cerca de 3 milhões de comunicadores populares.
            Apesar de uma lei, 5 mil rádios instaladas e 3 milhões de comunicadores populares em atividade ainda estamos construindo um modelo popular de comunicação que ainda não está pronto, ainda esta em gestação, pois neste período necessitamos lutar pela reparação histórica de mais de 30 mil lutadores populares que foram reprimidos pelos agentes do estado brasileiro que continuaram reprimindo para favorecer ao monopólio da comunicação.
            Continuamos lutando contra as mentiras da comunicação privada que ainda nos chamam de piratas e continuam com suas mentiras infundadas de interferência em ambulâncias e na navegação a?era. Continuamos lutando para que mais emissoras entrem no ar. Continuamos lutando contra as restrições impostas pelos coronéis da mídia monopolista. Continuamos lutando para retirar da legislação das rádios comunitárias suas restrições que impedem a sustentabilidade, bem como o papel negativo da sociedade a estes meios, construídas pelas mentiras das grandes corporações de mídia. Mas desta história de lutas aprendemos muito, entendemos que é necessário muito mais do que colocar emissoras no ar, é necessário lutar para o fim da comunicação privada que constrói verdadeiros processos de desumanização da sociedade.
            E no ano de 2013 (após 14 anos de tramitação do processo junto ao Ministério das Comunicações) finalmente entramos no ar no dia 20 de novembro. Não foi uma data aleatória, foi uma data escolhida a dedo, para relembrar a luta de nosso maior herói nacional: Zumbi dos Palmares.
            Neste 20 de Novembro de 2016 completamos 3 anos no ar, com muita audiência, muitos parceiros e muita comunicação pública voltado ao engrandecimento de nossas comunidades, este sim o objetivo de um veículo de comunicação de massa.
            Passamos pelas agruras da sustentabilidade, passamos pelas agruras da perseguição política e estamos passamos grandes dificuldades ainda para garantir uma comunicação dialógica e comprometidas com a construção de uma nova sociedade.
            Vamos a cada dia vencendo uma a uma todas as batalhas, e mais do que isso, nunca abrindo mão do nosso conceito de programação, rompendo a lógica da indústria cultural de massa.
            As novas tecnologias nos impõem voos mais altos, com a chegada da Rádio Noroeste na Internet e a chegada de novos atores em todo o Brasil e em várias partes do mundo. Uma enorme satisfação, mas também uma enorme responsabilidade.
            Com isso, retiraremos nossa região do mapa da exclusão e a colocaremos no rol de uma comunidade que produz riquezas e que luta por seu espaço. Não queremos muito, apenas nos tornar humanos.
            Vamos em frente, agora na construção de um novo modelo de sustentabilidade que vá além da restrição imposta pela lei das Rádios Comunitárias. Estamos lutando para a construção de um modelo novo, com a criação da Associação dos Amigos da Rádio Noroeste FM, onde os parceiros serão ativos no processo de construção da programação e na linha editorial de nossos conteúdos, construindo de fato o conceito de Controle social dos meios de comunicação, uma das pautas dos movimentos sociais democráticos que não aguentam mais tanta manipulação midiatica.
            Vamos construir a partir de nossa realidade a justificativa real para uma perfeita harmonia entre controle social e comunicação dialógica, um dos objetivos da luta real e efetiva para a democratização da comunicação do país, saindo da formulação discursiva e partindo de fato ao que queremos.
Rádio Comunitária Noroeste FM – A verdadeira Rádio Pública